Mudança ou morte – Quatro problemas para um futuro multifacetado de PES

Este é o tema dominante quando o assunto são os processos digitais de RH dos dias de hoje: como desenvolver melhor, com mais eficiência, ferramentas e tecnologias atualizadas para a correlação, que solucionem diversas tarefas e desafios de uma maneira mais orientada ao cliente. Separar o joio do trigo é uma tarefa muito estressante. Se a opção tecnológica hoje não atende à tarefa de moldar o futuro, isto causa um forte impacto na correlação. Em particular, os problemas serão protelados porque correlacionar significa compreender os desafios que o mercado de trabalho enfrenta. Todos os fornecedores de tecnologias de correlação de oportunidades de trabalho acreditam que são capazes de recolocar profissionais em busca de emprego, estimulando assim o mercado de trabalho. Porém não existe nada que se possa chamar de o mercado de trabalho. Cada mercado de trabalho específico tem suas próprias características, e a simples recolocação do máximo de pessoas no mercado de trabalho rapidamente não é suficiente; afinal, há outros problemas complexos que precisam da nossa atenção. Quatro problemas foram selecionados no contexto desse tema complexo, que ilustram por que não é apenas uma questão de simples recolocação. E por que a prevenção no presente é necessária para reduzir os problemas no futuro.

1) Desemprego zero hoje, lacuna amanhã

O desemprego é de fato um problema no mundo ocidental no momento?

Os números mais recentes do mercado de trabalho nos EUA, publicados logo após a primeira semana do ano, indicavam níveis de desemprego de quase zero (considerado quando o índice de desemprego está abaixo de 3%), e um índice de desemprego de 4,1%, após a apuração de 250.000 novos postos de trabalho gerados no último mês de 2017: o índice mais alto dos últimos 17 anos. Mark Zandi, economista-chefe da instituição de pesquisas de mercado Moody’s Analytics, disse em relação ao mercado de trabalho norte-americano que “em breve estará tão bem quanto possível”. Diversos países ocidentais também apresentam números semelhantes atualmente, até abaixo de 4% na Alemanha e na Suíça, um pouco acima na Noruega, e a média da Europa é a mais baixa dos últimos dez anos. Nem mesmo o Reino Unido ainda sofreu os efeitos do Brexit nesse sentido. Isto traz à tona a pergunta: as agências de emprego estão planejando tirar férias prolongadas?

Tomara que não, pois seria uma falácia dizer que esses países não precisam se preocupar com seus mercados de trabalho. Cada ministério do trabalho está enfrentando seus próprios desafios, e é por isto que as agências de emprego estão sempre muito ativas. A simples recolocação profissional como solução não é suficiente para oferecer o apoio fundamental aos serviços públicos de recolocação. Um profundo conhecimento dos mercados de trabalho é necessário, antes de mais nada, bem como dos diversos desafios atualmente enfrentados pelas pessoas nos quatro cantos do mundo.

Um desafio típico da atualidade é a digitalização. Embora o mercado europeu possa estar próximo da empregabilidade total em muitas regiões, essa tendência facilitará muito a recolocação profissional no futuro. Quem precisa de um motorista táxi quando o próprio carro se torna um chofer? E quem precisa de um assistente de limpeza quando a limpeza é feita por um robô que limpa até mesmo os cantinhos mais escondidos? É importante ressaltar que há grandes diferenças entre oportunidades de trabalho que exigem níveis de formação mais baixos. É bem mais fácil para as máquinas trabalhar com tarefas de limpeza do que com cargos complicados de tecelagem, por exemplo. Da mesma forma, nem todos os cargos que exigem qualificações inferiores estão em risco – apesar de muitos estarem. E não estão sozinhos nesse cenário. Profissionais com níveis mais altos de educação também podem ser substituídos, à medida que os computadores se tornam capazes de calcular com maior precisão e aperfeiçoam as estruturas estáticas dos prédios, os processos de logística e de produção. Da mesma forma, os computadores são considerados cada vez mais confiáveis e representam menos riscos em relação aos assessores financeiros humanos nos bancos, pois decidem com base em fatos e não em emoções.

Esses desafios complexos não podem ser solucionados apenas com uma recolocação, porque mesmo se alguém puder ser recolocado, esse posto de trabalho poderá desaparecer num futuro próximo, devido à digitalização. Se o motor a explosão deve se tornar obsoleto em breve e for substituído pelo motor elétrico, uma força de trabalho consideravelmente menor será necessária, visto que a produção de um motor elétrico exige apenas quatro operários, em vez de sete. Os três operários desnecessários ficarão desempregados, e para recolocá-los no mercado, não podemos simplesmente nos sentar e esperar.

 

2) A divisão está aumentado

Se você observar determinadas ocupações, a ocorrência oposta pode ser identificada como um desafio. Embora algumas ocupações estejam desaparecendo, outros setores estão precisando desesperadamente de novos funcionários. Os números relatados na mídia continuam a subir: 7.000 vagas na área de enfermagem na Suíça, 100.000 vagas para engenheiros na Alemanha. Como a recolocação poderá atender a uma demanda para a qual não existe oferta qualificada?

Consequentemente, as profissões nas quais as pessoas querem se formar estão cada vez mais alinhadas às respectivas demandas. As pessoas se acostumaram a ter uma grande liberdade de escolha quando o assunto é a opção de carreira: quase todo mundo pode decidir por si mesmo que carreira pretende seguir. Essa liberdade dá origem a uma situação em que algumas trajetórias profissionais são escolhidas com frequência, enquanto outras raramente são a opção das pessoas. Em última instância, isto gera uma enorme lacuna entre esses dois grupos. Em diversas profissões mais atraentes, fica cada vez mais difícil assegurar uma vida útil profissional de quatro ou cinco décadas, e à medida que trabalhamos por períodos mais longos, esse aspecto se torna mais importante. Quantos biólogos marinhos são realmente necessários na Suíça? Apesar de haver biólogos marinhos altamente qualificados desempregados, os engenheiros assinam contratos de trabalho antes mesmo de se formarem em seus cursos. Isto é uma tragédia.

Deve ser encarada como um estímulo para que políticos, sociedade, universidades e todas as demais partes envolvidas assumam uma nova missão: temos uma demanda, antão vamos aumentar a atratividade das áreas que apresentam essa demanda. É hora de tomar providências, treinando profissionais e planejando carreiras, não apenas reagindo em casos de emergência, mas também nos precavendo. O que pode ser feito para estimular os jovens a optar pela formação nas áreas essenciais? Precisamos olhar para o futuro. Restringimos de forma mais extensiva o acesso aos cursos de graduação mais procurados? Oferecemos suporte extra às pessoas que escolhem carreiras menos interessantes?

É claro, aumentar os salários das profissões de áreas como a enfermagem as tornaria mais atraentes. Entretanto, quem vai pagar esses salários se o consumidor não estiver preparado para pagar mais caro? À medida que os produtos e serviços se tornam cada vez mais em conta, os salários não poderão aumentar – o que significa que os rendimentos são insuficientes e o trabalho não é considerado atraente. Desta forma, um cargo não pode se tornar mais atraente por esse meio.

Quando o assunto são esses desafios, não faz sentido simplesmente considerar estratégias de recolocação, sejam elas tecnológicas ou não. Afinal esse problema não será solucionado pela simples recolocação. O que devemos fazer é trabalhar para garantir a correspondência entre oferta e demanda. Novos modelos devem ser criados para reagirmos às tendências e lacunas atuais. A análise das lacunas comprova que a escassez está crescendo de forma contínua em todos os mercados. Infelizmente a solução para o problema não é a migração, apesar de estar criando várias oportunidades atualmente, principalmente na Europa.

 

3) A emigração é a única saída

Existem diversas regiões em que a renda simplesmente não é suficiente. Nessas partes do mundo, as pessoas sentem uma compulsão de partir para conseguir trabalho. Na Lituânia, por exemplo, quase todas as famílias têm um membro trabalhando em outro país, porque o custo de vida crescente dificulta muito a sobrevivência das pessoas apenas com seus salários no país. O resultado é que esse pequeno país já perdeu mais de meio milhão de pessoas nos últimos 15 anos – um número expressivo se considerarmos que a população do país é de menos de três milhões de pessoas. Particularmente, os jovens estão emigrando assim que se formam ou até antes, deixando para trás uma sociedade que envelhece cada vez mais rápido.

Considere a população da Indonésia: mais de 250 milhões de pessoas. As pessoas do país podem achar seu mercado de trabalho mais interessante, uma vez que a economia local está em constante crescimento. A população, contudo, está crescendo mais rápido do que a economia – três milhões de pessoas a mais a cada ano, equivalente à população de Berlim, Madri ou da Lituânia. Mais de metade dessas pessoas tem menos de 30 anos de idade. Todos esses jovens vão precisar de um emprego em algum momento Mais uma vez, muitos terão na emigração a solução de que precisam. Novos modelos também devem ser criados para esses casos, modelos que equilibrem a oferta e a demanda de uma maneira inteiramente diferente. As pessoas não podem ser recolocadas em uma região onde simplesmente não há vagas de emprego.

 

4) Ter um emprego não é o suficiente

Mesmo que haja oportunidades de trabalho disponíveis, as estratégias de recolocação não são suficientes. Por exemplo, alguns mercados de trabalho sul-americanos estão tentando combater o subemprego, em conjunto com outros problemas como o combate ao crime, ao tráfico de drogas e à falta de transparência nos fluxos monetários. Subemprego não é o mesmo que desemprego; significa que o número de horas trabalhadas ou a renda são insuficientes. Nenhum padrão de vida adequado pode ser garantido com os salários baixos que resultam do subemprego. Mesmo depois de diversos esforços sustentáveis dos ministérios do trabalho, a situação no mercado de trabalho permanece complicada. No Paraguai, por exemplo, o índice de desemprego é de cerca de 9%, nível semelhante ao de países altamente desenvolvidos como a França ou a Finlândia. Entretanto, o que significa esse percentual? Devido ao subemprego e ao alto nível de trabalhadores do turno diurno, um grande número de pessoas não figura nos índices de desemprego, viso que, tecnicamente, elas têm um emprego. O índice de desemprego não significa necessariamente que um padrão de vida razoável esteja sendo assegurado no país ou em qualquer região.

 

Reação em vez de espera

Embora os índices de desemprego sejam baixos, esse índice não pode salvar o mercado de trabalho. Cada mercado de trabalho tem seus próprios problemas específicos, que devem ser tratados de uma maneira diferente. Ainda são muitos os desafios a serem enfrentados: Como recolocar profissionais com mais de 50 anos? Como recolocar refugiados altamente qualificados? A princípio, pode-se prever que os PES não se adaptam e consequentemente gera tantos desafios quanto forem possíveis, grandes problemas fazem com que os PES percam sua razão de ser. A reação a esses desafios e debates deve começar já; as discussões são baseadas em fatos, portanto requerem as ferramentas e tecnologias adequadas. No entanto, o sucesso não será garantido pela mera existência dessas ferramentas e tecnologias. Uma profunda especialização se desenvolveu no decorrer de uma década em que se sabe perfeitamente quais áreas problemáticas serão abordadas, em que locais, utilizando quais métodos, e consequentemente se sabe também como as ferramentas serão utilizadas corretamente. É preciso haver pessoas que apliquem essa especialização substancial em uma etapa inicial do processo. É apenas uma questão de tempo até que o desemprego volte a crescer, principalmente entre os mais jovens. Se for aplicado um entendimento mais fundamental dos tipos de problema, as possibilidades podem ser identificadas em uma etapa inicial e coordenadas com as estratégias corretas para se chegar às soluções. Além disto, os requisitos específicos do mercado de trabalho devem ser trazidos à tona, levados em conta e tratados já. Em resumo, precisamos reagir imediatamente. Fico imaginando porque os políticos, a sociedade, as instituições educacionais e outras entidades ainda estão paradas observando. Elas devem debater essas questões com especialistas que tenham esse know-how específico. Existem especialistas que trabalham, refletem e analisam todos os desafios citados e outros não citados dos mercados de trabalho diariamente. O conhecimento que esses especialistas possuem está disponível para você – na JANZZ.technology.